Com portos batendo recorde, eixo Itajaí-Navegantes vira o novo polo logístico do Sul do País
Expansão dos portos de Itajaí e Navegantes impulsiona corrida por galpões logísticos
Retomada do Porto de Itajaí sob gestão da JBS e liderança nacional de produtividade da Portonave alimentam corrida por galpões na região, que já soma mais de R$ 54 bilhões em obras e projetos de infraestrutura.
O litoral norte de Santa Catarina consolidou, nos últimos dois anos, uma combinação pouco comum no mercado logístico brasileiro: dois complexos portuários em expansão acelerada e um mercado de galpões praticamente sem vacância para atender a essa demanda. De um lado, a Portonave, em Navegantes, segue como o terminal mais produtivo do país segundo a Antaq; de outro, o Porto de Itajaí, sob a gestão da JBS Terminais desde outubro de 2024, multiplicou sua movimentação depois de um longo período de paralisação. O resultado é uma pressão inédita sobre o estoque de condomínios logísticos da região, que atrai cada vez mais capital para novos empreendimentos entre Itajaí, Navegantes e cidades vizinhas.
- 1,1 mi - TEUs movimentados pela Portonave em 2025
- 114 MPH - produtividade média de navio da Portonave em 2025, a melhor do país
- 330% crescimento da capacidade operacional da JBS Terminais em Itajaí desde 2024
- R$ 54 bi em obras, concessões e projetos no eixo Itajaí-Navegantes
Portonave amplia liderança em produtividade
A Portonave fechou 2025 movimentando mais de 1,1 milhão de TEUs, com produtividade média de 114 movimentos por hora, novamente a maior entre os portos brasileiros, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Ao longo de seus 18 anos de operação como o primeiro terminal portuário privado do país, o terminal acumulou 14 milhões de TEUs movimentados e recebeu 10 mil escalas de navios. A companhia também concluiu, em outubro de 2025, a primeira fase de uma obra de modernização do cais orçada em cerca de R$ 2 bilhões, parte de uma estratégia para receber embarcações de até 400 metros de comprimento, as maiores em operação no mundo.
Porto de Itajaí acelera sob nova gestão
Enquanto a Portonave consolida sua liderança em eficiência, o vizinho Porto de Itajaí vive um momento de retomada acentuada. Depois de cerca de um ano e meio de paralisação, o terminal de contêineres voltou a operar em outubro de 2024 sob a JBS Terminais, que já expandiu sua capacidade operacional em cerca de 330% no período e movimentou mais de 560 mil TEUs. No primeiro trimestre de 2026, a movimentação de contêineres cresceu mais de 60% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, enquanto o complexo como um todo somou 1,67 milhão de toneladas nos quatro primeiros meses do ano — alta de quase 40% ante igual período de 2025.
Para sustentar esse ritmo, o Ministério de Portos e Aeroportos e a Antaq preparam o leilão de concessão do canal de acesso aquaviário ao Porto de Itajaí, com investimentos estimados em R$ 311 milhões ao longo de 25 anos. A expectativa é que, ao fim do contrato, o canal tenha capacidade para movimentar até 3,43 milhões de TEUs por ano, mais que o triplo do volume atual do terminal.
Escassez de galpões impulsiona nova onda de investimentos
Esse duplo movimento de expansão portuária tem um efeito direto sobre o mercado imobiliário logístico da região. Levantamentos do setor mostram Santa Catarina como um dos estados com menor taxa de vacância de galpões do país, combinando espaço restrito com demanda crescente puxada pelo comércio exterior. Dados da Sort Investimentos apontam valorização de até 20% no metro quadrado de galpões no litoral norte catarinense que reúne Navegantes, Itajaí, Araquari e Garuva, em um cenário no qual a valorização acumulada em Navegantes já soma 300% em dez anos.
É nesse contexto que novos complexos empresariais têm sido lançados na região. Em Navegantes, o Grupo ABC.inc & Embralot desenvolve o Navepark, complexo com galpões modulares, área de serviços e proximidade de cerca de 9 km da Portonave, 13 km do Porto de Itajaí e 11 km do Aeroporto Internacional de Navegantes. Segundo a empresa, o projeto já opera com ocupação plena e integra um plano de expansão que prevê seis novos lançamentos em 2026. No mesmo município, o grupo Saes Empreendimentos, por meio da Ciway, constrói o Ciway 470, complexo logístico de cerca de 200 mil m² dividido em 94 módulos, com certificação ambiental LEED, outro sinal do apetite de incorporadoras pela região.
Infraestrutura viária tenta acompanhar o ritmo
O gargalo mais citado por empresas e prefeituras da região é o viário. A BR-101, principal via de acesso aos terminais, deve receber R$ 382 milhões em obras entre Balneário Camboriú e Penha, com destaque para 46 quilômetros de novas terceiras faixas, segundo estimativas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O pacote também inclui uma nova ponte sobre o Rio Itajaí-Açu e ajustes em acessos que hoje concentram os principais congestionamentos do Litoral Norte catarinense, reforçando que a competitividade da região depende tanto da expansão portuária quanto da capacidade das rodovias de escoar esse volume crescente de cargas.
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