’Cidade rica de SC’ deve repetir boom que valorizou área portuária de luxo na Argentina

Um especialista em imóveis de alto padrão afirma que Itajaí pode sofrer o “Efeito Puerto Madero” na Beira-Rio

Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, pode sofrer um fenômeno imobiliário parecido com o ocorrido em Buenos Aires, na Argentina. Um especialista em imóveis de alto padrão afirma que a “cidade rica de SC” pode sofrer o “Efeito Puerto Madero” na Beira-Rio.

Renato Monteiro, CEO da Sort Investimentos, afirma que, a exemplo de Balneário Camboriú, que hoje tem o metro quadrado mais caro do Brasil, custando R$ 14.906, segundo o FipeZap, Itajaí vive um ciclo de multiplicação de capital.

Boom que valorizou área portuária

A tese de Monteiro se baseia na comparação técnica com a revitalização portuária argentina. Ele explica que, em Buenos Aires, bairros nobres tradicionais, como Recoleta e Palermo, custam em média US$ 3.000/m². Já em Puerto Madero, antiga área portuária revitalizada, o valor salta para US$ 6.100/m² e pode chegar à casa de US$ 10 mil.

"A história econômica se repete. Áreas portuárias convertidas em complexos de lazer criam um microclima de valorização que se descola da média da cidade. Em Buenos Aires, o porto vale o dobro ou mais do que um bairro nobre tradicional. Em Itajaí, estamos vendo o início exato desse gráfico”, explica Monteiro, que atua no Brasil e no exterior e conta com o suporte de equipe de estudos e pesquisas que avaliam constantemente os movimentos do mercado imobiliário.

"Atualmente, o metro quadrado de Itajaí (R$ 13.023) ainda custa cerca de 13% a menos do que o de Balneário Camboriú. Porém, entrega rendimento de locação de 0,3% a 0,5% ao mês, superior devido à demanda executiva do complexo portuário, industrial e logístico, sem falar na estrutura do turismo náutico e da marina, uma das maiores e mais modernas do país. Se a lógica de Puerto Madero se confirmar, em que a área revitalizada supera em mais de 100% os bairros vizinhos, o investidor que se posicionar agora em Itajaí estaria comprando o ativo com o maior upside (potencial de alta) do Brasil”, destaca.

Megaprojetos no porto

Além disso, um novo fenômeno, similar ao do alargamento da faixa de areia de Balneário Camboriú, deve acontecer a partir do ano que vem, com megaprojetos em fase de finalização, como a entrega do maior shopping dentro de uma marina no país, que recebeu um investimento de R$ 100 milhões em sua primeira fase. O Boulevard Marina Itajaí, com uma megaestrutura e arquitetura “open” voltada para o rio, deve ser entregue no ano que vem.

Outro megaprojeto que refletirá em avanço imobiliário, fruto de parceria público-privada, é o novo terminal de cruzeiros, ao lado do Centreventos e da marina. A obra de R$ 300 milhões, com o projeto executivo já em fase de entrega, faz parte de um pacote de modernização do Porto de Itajaí e será conectada à requalificação da Beira-Rio.

O projeto foi desenvolvido pela líder global de engenharia de portos e passageiros, a WSP, responsável por obras icônicas como o Terminal de Cruzeiros de Montreal, o desenvolvimento do Terminal de Cruzeiros de Brisbane, o Nassau Cruise Port e o PortMiami.

Dados compilados pela Sort Investimentos apontam ainda que a região da foz do Rio Itajaí-Açu concentra 40% dos novos alvarás de construção de alto padrão emitidos no litoral norte catarinense no último trimestre de 2025. Além disso, enquanto Balneário Camboriú registrou uma estabilidade técnica em janeiro de 2026 (+0,20%), Itajaí cresceu em ritmo seis vezes superior (+1,36%) no mesmo mês, segundo o último relatório da FipeZap. A demanda é crescente por um estilo de vida “náutico-urbano”, em que a vista para a marina e as caminhadas pela Beira-Rio, voltadas para os iates de luxo, substituem o tradicional “pé na areia”.

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